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domingo, 20 de janeiro de 2013

A louca do coração elástico



   Todo casal tem duas versões da história deles. A versão editada, aquela que o casal tem orgulho de contar a todos, dizendo que desde o primeiro olhar eles já sabiam que eram almas-gêmeas e como são felizes. E tem a real história. Aquela que envolve dor, lágrimas e segredos não tão aceitáveis. Comigo e com Maurício não era diferente...
       Eu ainda lembro da noite do dia 7 de junho. Eu acordara trôpega e nua na cama de Milla. Coloquei uma blusa que estava jogada no chão e fui fumar na varanda. Eu não me lembrava da noite de ontem. Sei que eu tinha saído com Milla para dançar e lembrava que nós experimentamos todo tipo de bebida altamente alcoólica. Não lembro de como cheguei na casa de Milla mas lembro exatamente todos os detalhes do que aconteceu na noite de ontem na casa dela. Não sei quem beijou quem primeiro mas lembro do gosto  adocicado de Milla e lembro de como os movimentos dela eram sutis mas altamente excitantes. Depois as roupas foram ao chão e eu amei Milla.
       Enquanto Milla beijava meus cabelos e orelhas, pensava em Maurício  e no que ele deveria estar fazendo nessa hora. Ele deveria estar na nossa cama, com os óculos antiquados que eu tanto odiava e deveria estar lendo alguma revista besta de carros.
      Típico dos homens.
      Milla levantara e colocara Guns N' Roses para tocar e adormeceu ao meu lado, cantarolando. Peguei a mão de Milla e caí em um sono profundo e sem sonhos. E foi aí que eu acordei e fui fumar e pensar no que aconteceu, pensar na minha vida. Eu amava Maurício, sem dúvida nenhuma. Adorava o jeito como ele respirava enquanto dormia, o sorriso, o jeito que ele me beijava... Olhei para Milla e pensei que eu amava ela também. A cor de avelã de sua pele, seu cabelos que tinham cheiro de perfume francês e o jeito que ela parecia não se importar com nada.
      Meu celular vibrou anunciando a chegada de uma mensagem. Olhei para o visor e o nome de Maurício piscava na tela.
     "A noite e a cama não são as mesmas sem você. Volta gatinha ):"
      Não queria deixar Milla e ir embora sem me despedir. Depois de tudo isso... Decidi que terminaria demoradamente meu cigarro e depois partiria.
    - Pandora? Vem cá... - Milla me chamou com sua voz que continha resquícios da quantidade abusiva de álcool que nós tomamos no dia anterior.
    - Tô indo, Milla. Deixa eu terminar o cigarro.
     E mesmo eu estando com o cabelo bagunçado, com a maquiagem super borrada e cheirando cerveja barata, eu percebi uma coisa. Dei uma tragada e junto com a fumaça do cigarro, a verdade preencheu todo meu corpo. Eu amava Maurício e o queria para sempre comigo. Eu amava Milla e a queria para sempre comigo.
    Maldito coração elástico.

1 pessoas "cronicaram" para mim!:

Gabrielly disse...

Olá querida, Adorei o blog, estou seguindo! bjs.


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